terça-feira, 31 de maio de 2016

HÁ AREIAS E AREIAS

Novo texto do Professor Galopim de Carvalho, que muito agradecemos


Não há praticamente ninguém que não tenha pisado a areia numa praia, numa duna litoral, nas margens de um rio ou de um ribeiro.

O que é a areia e de onde vem? Serão iguais todas as areias que já pisámos? São perguntas que se fazem e cujas respostas estão ao alcance de qualquer um.

Do latim arena (areia), usado como étimo de palavras portuguesas como: areeiro, local onde se extrai areia a céu aberto; arena, que tanto significa saibro como o redondel de circos e touradas e, ainda, arnela, diminutivo de arena e arenoso, local marcado pela presença de areia. Chamamos arenito a uma rocha formada por grãos de areia unidos entre si por um cimento que os aglutine. Os topónimos Arnado, Arnedo e Arneiro significam, todos eles, terreno muito arenoso ou areento, em geral, estéril. Equivalem à Gândara da Beira Litoral. Restringindo-nos, por agora, à areia, diremos que as respectivas partículas são, no geral, detritos, clastos ou grãos arrancados às rochas expostas à superfície da Terra e, como tal, sujeitas aos agentes de alteração e de erosão.

Na origem, uma areia é uma população de partículas, no geral, detritos, clastos ou grãos arrancados às rochas expostas à superfície da Terra e, como tal, sujeitas aos ditos agentes de alteração e de erosão. Pode permanecer no local e, neste caso, ainda associada à componente argilosa (resultante da alteração dos feldspatos), pode ser chamada de “saibro” ou “arena”. A transformação do saibro em areia, no sentido petrográfico do termo, como é aqui usado, tem lugar durante o transporte, em que se faz a selecção granulométrica (separação dos calibres acima e abaixo dos limites convencionados (0,064 e 2mm) e a selecção mineralógica (destruição dos mais frágeis e quimicamente instáveis e persistência dos mais duros, tenazes e quimicamente estáveis).
E
stas são as areias ditas terrígenas ou siliciclásticas. Terrígenas porque têm origem nas terras emersas, siliciclásticas porque a grande maioria dos minerais que a integram são minerais siliciosos como o quartzo (dióxido de silício) , os feldspatos e as micas (silicatos de diversas composições).
Mas há outras areias formadas por trituração de conchas, corais e outros restos esqueléticos de natureza carbonatada (geralmente carbonatos de cálcio) apelidadas de bioclásticas, sobre as quais nos debruçaremos mais tarde.

Fixando a nossa atenção nas areias do presente e do passado, em todas as situações das suas ocorrências em praias, cursos de água, dunas litorais e do deserto, em todas as latitudes do planeta, sem esquecer as associadas às moreias glaciárias, podemos distinguir diversos tipos ditados, sobretudo, por situações locais no que se refere à natureza geológica dos terrenos que, por erosão, fornecem os clastos ou grãos que as alimentam por via detrítica, mas também, pelo tipo de clima sob o qual evoluíram, desde a origem à deposição final.

Areia é um substantivo colectivo que define uma população de partículas, na grande maioria dos casos, minerais e/ou rochosas de diâmetros compreendidos entre 0,064 e 2mm, valores estes estabelecidos convencionadamente entre os que investigam os sedimentos (sedimentólogos) e os que investigam os solos (pedólogos). Em determinados estudos separam-se - areia muito fina (0,064 a 0,125mm), areia fina (0,125 a 0,25mm), areia média(0,25 a 0,5mm), areia grosseira (0,5 a 1mm), areia muito grosseira (1 a 2mm) e areão (2 a 4mm).

Acima deste intervalo dimensional consideram-se, sempre, por convenção, vários calibres de cascalho, desde a gravilha (4 a 8mm) aos blocos (com mais de 25 cm), e abaixo dele, distinguem-se o limo ou silte (0,0004 a 0,0064mm), relativamente mais fino, e a argila, ainda mais fina (abaixo de 0,0004mm), com a aparência de um pó.

O quartzo e os feldspatos são as espécies mais comuns e abundantes entre os minerais detríticos da generalidade das areias. O quartzo, bastante estável quimicamente, e duro, resiste aos agentes de alteração, erosão e transporte, predominando sobre os feldspatos. Estes, não obstante serem mais abundantes do que aquele no contexto das rochas ígneas e metamórficas (granitos, sienitos, dioritos, gabros, gnaisses, etc.) são frágeis e facilmente alteráveis na presença de água, pelo que a sua representação entre as areias diminui com o transporte, primeiro, pelas águas correntes e caso chegue ao litoral, pelo vaivém do espraio e da ressaca próprios da rebentação das vagas.

As areias que chegam às praias do Minho, provenientes da erosão das arribas graníticas locais ou das linhas de água e barrancos que os entalham, são mais ricas em feldspato do que as da Beira Litoral e de todas as outras que lhes ficam a sul, cuja evolução por transporte foi muito superior. No primeiro caso, o elevado teor de feldspatos é revelador de imaturidade e fala-se, então, de areias imaturas. No segundo caso a pobreza ou ausência destes indica a sua maturidade.

Numa areia imatura, para além do quartzo e dos feldspatos é frequente, mas não abundante, a mica branca (moscovite). De grande estabilidade química, esta espécie mineral ocorre aqui, geralmente, sob a forma de finas lamelas ou palhetas. Esta característica, decorrente da sua clivagem basal muito fácil, dá-lhe uma mobilidade no seio das águas em movimento, equivalente às dos grãos de areia de muito menor calibre, pelo que tem melhor representação nas areias de granulometria mais fina. A mica preta (biotite) tem as características hidráulicas da moscovite. Porém, a sua muito menor estabilidade reduz consideravelmente a sua participação como componente detrítico do domínio sedimentar.

As areias das regiões continentais, de maior maturidade, contêm, geralmente com carácter acessório, grãos de minerais de maior estabilidade química, com destaque para zircão, turmalina, rútilo, granadas, estaurolite, andaluzite, distena, silimanite, magnetite e ilmenite. Estas duas últimas espécies abundam em especial nas areias negras fluviais marinhas (incluindo as de praia), muitas vezes, a par de olivina, augite e horneblenda. Todos eles de densidade superior a 3,85, convencionou-se chamar-lhes “Minerais Pesados”).

Não deve esquecer-se, porém, que em certas circunstâncias, algumas destas espécies, nomeadamente, magnetite, ilmenite, cassiterite, olivina e granada podem estar presentes em quantidades significativas.
A. Galopim de Carvalho

Dieta para sedentários

Por amabilidade da editora Gradiva, publicamos um excerto do livro "Dieta para Sedentários", que acaba de sair, da autoria de Ana Carvalhas:

"Para se perceber melhor a nova abordagem do tratamento da obesidade é necessário recuar muito no tempo. Os primeiros hominídeos evoluíram ao longo de milhões de anos, alimentando-se do que a Natureza lhes dava: peixe, carne, ovos, bagas e partes aéreas de certas plantas. Pensa-se que o desenvolvimento do cérebro humano foi favorecido por uma alimentação que fornecia essencialmente gorduras e proteínas que o homem primitivo extraía dos animais que caçava e pescava.

Mas, modernamente, a alimentação tomou um rumo contrário ao desses tempos antigos. A introdução nos Estados Unidos em 1977 das novas orientações alimentares, que recomendavam uma dieta rica em hidratos de carbono e pobre em gorduras, acabou por ter um efeito desastroso na saúde pública. A obesidade, diabetes tipo 2, síndrome metabólica e cancro têm aumentado de forma galopante na população dos Estados Unidos assim como na população da maioria dos países ocidentais, incluindo Portugal, atingindo valores nunca vistos.

É comum dizer-se que as gorduras saturadas são a principal causa de obesidade, doenças cardiovasculares e diabetes. Mas trata-se de um mito sem fundamentação científica sólida. Na realidade, não há estudos que mostrem com rigor este facto tantas vezes apregoado. A ideia de que as gorduras saturadas são o inimigo número um da saúde cardíaca surgiu de um estudo, realizado nos anos 50 do século XX pelo fisiologista norte-americano Ancel Keys, sobre a relação entre o consumo de gorduras saturadas e a incidência de doenças cardiovasculares na população de algumas dezenas de países. Todos acreditaram nas conclusões de Keys, um médico conhecido pela sua proposta da dieta mediterrânica (hoje património imaterial da Humanidade, após ter sido partilhada por portugueses e aprovada pela UNESCO), mas ele não considerou na sua estatística países como a Noruega, os quais, apesar de reportarem um consumo elevado de gorduras saturadas, tinham uma baixíssima incidência de doenças cardiovasculares. Por outro lado, também não considerou no seu estudo países como o Chile, que, apesar de apresentarem um baixo consumo de gorduras saturadas, tinham uma elevada incidência deste tipo de doenças. Alguns autores acusam--no, portanto, de extrair conclusões seleccionando resultados. Não obstante, as conclusões ditaram os últimos sessenta anos de orientações nutricionais a respeito das gorduras, que espalharam o medo em relação às gorduras saturadas e conduziram à diminuição do seu consumo.

Desde os anos 1960, óleos e margarinas vegetais e também alimentos magros começaram a aparecer por o todo lado, sendo muito procurados pelos consumidores que somos todos nós. O problema é que, se comermos alimentos com menos gordura, precisaremos de ingerir mais hidratos de carbono para nos sentirmos saciados.

São numerosos os estudos que mostram que os hidratos de carbono prejudicam mais a saúde do que as gorduras saturadas por fazerem aumentar os níveis de açúcar e colesterol sanguíneo, que contribuem para o aparecimento da diabetes tipo 2, de doenças cardiovasculares, fígado gordo e de algumas formas de cancro. Esses estudos provaram que uma dieta com baixo teor de hidratos de carbono melhora a glicemia, o colesterol e os triglicerídeos do sangue e reduz a inflamação, sem necessidade de recorrer a qualquer medicação.



A Suécia foi o primeiro país ocidental a emitir orientações que rejeitam o dogma da dieta baixa em gorduras em favor da redução dos hidratos de carbono e aumento das gorduras na alimentação. A mudança das orientações nutricionais seguiu-se à publicação de um estudo realizado pelo Conselho Sueco Independente de Avaliação das Tecnologias da Saúde, após rever 16 000 trabalhos científicos publicados, em todo o mundo, até Maio de 2013. Daí resultou a proposta de uma nova pirâmide alimentar, recomendada na Suécia desde 2013 (ver figura). Nessa tabela, os alimentos fornecedores de hidratos de carbono, como os cereais, tubérculos e leguminosas (fornecedores de amido e açúcares), ocupam os lugares cimeiros, ao passo que os vegetais, com valores muito reduzidos deste macronutriente, se encontram na base. O pescado, todos os tipos de carne e os ovos situam-se no segundo estrato da pirâmide. Seguem-se as frutas com teor reduzido de frutose, como, por exemplo, os morangos ou os frutos vermelhos, depois as gorduras naturais, como o azeite, a manteiga e as que se encontram naturalmente nos alimentos animais e vegetais e nos frutos gordos (como nozes, azeitonas, coco e abacate). Os óleos vegetais não entram na pirâmide sueca por conterem demasiados ácidos gordos ómega-6, que são prejudiciais à saúde.  Depois das gorduras surgem os lacticínios integrais, leite gordo, iogurtes sem açúcar e todos os tipos de queijo, terminando, como referi, com as leguminosas e, no topo, com os cereais.

A difícil luta para a mudança dos padrões de alimentação, que resultou das orientações alimentares que surgiram nos Estados Unidos da América no final da década de 1970, já começou e está a ser travada por um grupo de cientistas como Gary Taubes, físico norte-americano, jornalista científico e investigador em Saúde Pública da Fundação Robert Wood Johnson, Tim Noakes, professor sul-africano da Universidade da Cidade do Cabo, Richard K. Bernstein, médico e autor de seis livros sobre controlo da diabetes, Stephen Phinney, professor da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia – Davis, e Jeff Volek, professor no Departamento de Ciências Humanas da Ohio State University, nos Estados Unidos, entre muitos outros.

Os trabalhos destes e de outros cientistas, que tenho lido com atenção, e os bons resultados alcançados por centenas de doentes que tenho seguido nas minhas consultas foram as fontes de inspiração para este livro. Como diz o Professor Tim Noakes:

”Não estamos a comer os alimentos certos e é por isso que estamos a engordar e a ficar doentes.”


Os ensinamentos deste livro, se forem seguidos à risca, ajudarão as leitoras e os leitores a emagrecer e a ter mais saúde. Se seguirem durante apenas vinte e um dias a Dieta para Sedentários os leitores sentir-se-ão mais saudáveis, em parte por terem eliminado uma boa quantidade de gordura e água armazenada em excesso no corpo. A longo prazo sentir-se-ão mais enérgicos, com o corpo revigorado, dormirão melhor e viverão mais anos com maior qualidade de vida, uma vez que a dieta aqui indicada previne, ou retarda, o aparecimento de uma série de doenças, desde problemas cardiovasculares ao cancro, passando pela diabetes. Esta promessa está apoiada por literatura científica bastante sólida. 

Apresentarei aqui a mais recente informação sobre as formas de tratamento. Não se admire a leitora ou o leitor de ver uma longa série de afirmações, tidas, até agora, como certas sobre a alimentação, cair por terra. De facto, está em curso uma nova revolução na alimentação. Em Portugal, sou uma das primeiras nutricionistas a dar a boa nova. Devemos estar atentos às mudanças nutricionais que estão a acontecer. O mais importante é estarmos de posse da informação mais relevante sobre o que devemos comer para ficarmos mais saudáveis e vivermos mais e melhores anos."

Ana Carvalhas

Livros sobre teoria quântica na Feira do Livro

Um engenheiro químico reformado pediu-me a indicação de livros para entrar na teoria quântica. Enviei esta lista, que pode ajudar outras pessoas na Feira do Livro:

A Gradiva na sua colecção Ciência Aberta tem publicado alguns bons livros sobre Física Quântica, no género de divulgação científica:

n.º 10 - "O Código Cósmico", de Heinz Pagels (um dos melhores textos de divulgação sobre o tema!)

n.º 25 - "QED - A estranha teoria da luz e da matéria"  de Richard Feynman (há reedição recente)

n.º 35 - "O que é uma lei física" de Richard Feynman (só um capítulo é sobre teoria quântica)

n.º 39- "Simetria Perfeita", de Heinz Pagels

n.º 45 - "O átomo Assombrado", de P. C. Davies e J.R. Brown (entrevistas sobre o significado da teoria quântica)

n.º 83 - "O Século dos Quanta" de João Varela (tem alguma matemática)

n.º 181 - "A Importância de ser Electrão", de José Lopes da Silva e Palmira Silva (escrito por químicos)

n.º 202 - "O Diabo no Mundo Quântico", Luís Alcácer

Estão baratos na Feira do Livro. De outras editoras poderão eventualmente encontrar-se  "Outros Mundos", de Paul Davies (Edições 70),  "À procura do gato de Schroedinger", de John Gribbin (Presença) e  "A Revolução dos Quanta", de Victor Weisskopf (Terramar).

Depois de começar por aqui poderá ier para livros mais técnicos. Em português existem manuais, de carácter necessariamente  técnico, de Filipe Duarte Santos (Gulbenkian), Teixeira Dias (Gulbenkian, escrito por um químico), Pedro Sacramento e outros (IST Press, vol.1, aguarda-se o vol. 2), Luís Alcácer (IST Press, escrito por um químico) e  Carlos Herdeiro  (Universidade e Aveiro, este muito recente).

Em inglês há uma literatura imensa. Já se torna mais difícil escolher...


Congresso de História da Tecnologia no Porto

De 26 a 30 de Julho realiza-se no Porto o 43º Congresso do International Committee for the History of Technology (ICOHTEC), sob o tema Technology, Innovation and Sustainability-Historical and Comtemporary Narratives.

O programa do ICOHTEC 2016 encontra-se aqui:  http://icohtec2016.ciuhct.org/

COMO A CIÊNCIA E A TECNOLOGIA TÊM MUDADO O MUNDO: O IMPACTO ECONÒMICO

Conferência sobre CIÊNCIA, TECNOLOGIA, INOVAÇÃO, 9 de Junho, no RÓMULO em Coimbra, com o apoio da Ordem dos Engenheiros e do jornal "Vida Económica:

Programa:


17h – Prof. Carlos Fiolhais
Como a ciência tem mudado o mundo: O impacto económico da ciência


17.15h – Eng. Octávio Alexandrino
A importância da Engenharia/Tecnologia para a Economia.


17.30h – Prof. Gilberto Santos
Inovação tecnológica – uma via verde para o desenvolvimento
de Portugal - apresentação do livro “engenharia pt - Uma via verde
para o desenvolvimento tecnológico e económico de Portugal”


Debate 18h – 18.30h


Espaço RÓMULO - Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra. Dep. Física, Rua Larga, Coimbra

MUNDIAL 66 OLHARES



É hoje apresentado em Lisboa o livro das Edições Afrontamento intitulado "Mundial 66. Olhares", coordenado por César Rodrigues e Francisco Pinheiro, que revisita o Mundial de Futebol de há 50 anos. Eis o texto da minha contribuição (tinha 10 anos na altura!):

COMO VI O MUNDIAL DE 1966

Para mim o Mundial de Futebol de 1966 – meu Deus, já passaram cinquenta anos! – foi, acima de tudo, o jogo Portugal - Coreia do Norte. Nunca me esqueci e nunca me vou esquecer. Foi no dia 23 de Julho de 1966 no estádio Goodinson em Liverpool, perante mais de 40 000 espectadores, pelas 15 horas da tarde, hora tanto britânica como portuguesa (tudo isto são informações que o Google me dá com um clique rápido, algo impensável há meio século). Eu tinha feito há pouco mais de um mês dez anos. Gostava de futebol e era, como ainda sou hoje,  embora não exerça muito, adepto da Académica de Coimbra: via os jogos da Briosa por um binóculo de uma janela da Cumeada e assistia a alguns treinos no campo pelado de Santa Cruz, não muito longe do que haveria de ser o meu liceu durante sete anos (tinha entrado no Liceu Nacional de D. João III, hoje Escola Secundária de José Falcão, precisamente em Outubro de 1965, após ter sido aprovado no exame da quarta classe e na prova de admissão aos liceus).  Para mim o jogo teve lugar na sala de convívio anexa ao bar do quartel onde o meu pai trabalhava.  Na altura a televisão era um luxo que não abundava nas casas de família mas era partilhada nos cafés.  Muitos olhos, todos eles masculinos pois o ambiente ali era militar, estavam fixos num pequeno ecrã evidentemente a preto e branco (a televisão a cores só haveria de aparecer uns quatro anos após a revolução de 25 de Abril de 1974). A equipa lusa, dita dos Magriços em homenagem aos semi-lendários “Doze de Inglaterra”, tinha na fase de grupos batido a Hungria, a Bulgária e o favorito Brasil, num jogo rijamente disputado. Agora era uma partida dos quartos de final e a equipa nacional batia-se contra uma desconhecida Coreia do Norte que, surpreendentemente, tinha derrotado a poderosa Itália.

O desconsolo da audiência começou logo a um minuto do jogo quando um norte-coreano bateu o guarda-redes português José Pereira. Houve quem pensasse que um golo era fácil de recuperar, mas não tardou a vir um outro e mais outro. Aos 25 minutos de jogo a Coreia já estava a ganhar-nos por 3-0. Mais do que isso, os coreanos estavam de facto a jogar melhor – corriam que nem uns desalmados, lembro-me de ver um enxame de jogadores de branco muito pequeninos e muito rápidos na tal TV a preto e branco. Uma névoa espessa de desilusão assentou praça naquela sala. Houve quem não quisesse ver mais. O jogo parecia acabado.

Mas não estava acabado para Eusébio, então no auge da sua forma. O negro moçambicano, vestido de uma camisola vermelha que na TV era cinzenta, meteu-se em brios e não se ficou perante os brancos. Reduziria para 2-3 ainda antes de soar o apito do árbitro, que estava todo vestido de negro de modo que a TV não lhe alterava a cor, para terminar a primeira parte. Na segunda parte o mesmíssimo Eusébio haveria de meter mais dois golos, para o seu companheiro do Benfica e da selecção José Augusto concluir a vitória com uma cabeçada certeira a dez minutos do fim. O resultado final foi 5-3, a nosso favor. Cada golo originava uma explosão de palmas e júbilo não só na sala onde eu estava, mas também decerto nas salas congéneres espalhadas pelo país. Todos os olhos lusitanos estavam nesse dia em Liverpool. O último golo não era sequer preciso, pois Eusébio, que nesse jogo se tornou uma lenda, ganhou, por assim dizer sozinho, por 4-3 aos coreanos.  Os golos de Eusébio estão na Internet em qualquer ecrã perto de si, uma vez que agora existem ecrãs coloridos por todo o lado que servem, à vontade do freguês, todos os golos de qualquer sítio do mundo, a qualquer hora do dia e da noite. Os  aparelhos de hoje são muito mais finos do que outrora e o jogo Portugal-Coreia do Norte pode até ser visto a cores, ainda que um pouco desmaiadas.

As emoções mais fortes são as que perduram perenes. Já mal me lembro da derrota nas meias finais de Portugal, no estádio de Wembley em Londres, contra a Inglaterra, com Eusébio banhado em lágrimas no final (as imagens podem também ser vistas na Internet, mas eu não mais as voltei a ver). Para um miúdo de dez anos o que ficou foi uma lição para a vida: nunca desistir, quaisquer que sejam as circunstâncias, mesmo que o nosso nome não seja Eusébio. Recordo-me, em particular, da rapidez com que ele, após meter a bola no fundo das redes,  a ia buscar para a colocar no centro do relvado. Eusébio só houve um, mas, se metermos qualquer golo, devemos lembrar-nos como ele fazia: em vez de perder tempo a festejar, ia buscar a bola à baliza, para o jogo recomeçar mais depressa.


Ah, de 1966 lembro-me também de Madalena Iglésias e da canção “Ele e Ela” (“Sei quem ele é / Ele é bom rapaz um pouco tímido até...”), que ficou em 13.º lugar no Concurso da Eurovisão, o outro evento televisivo que além do futebol atraía os olhares de um país a preto e branco. Hoje Portugal  tornou-se um país colorido, enquanto a Coreia do Norte permanece a preto e branco. É assim o tempo: passa nuns sítios, acelerando por vezes vertiginosamente,  e noutros permanece pasmado. 

Carlos Fiolhais*

*Professor de Fìsica da Universidade de Coimbra


Minhas respostas a alunas de S. Tirso

Minhas respostas a uma entrevista para um blogue feito por alunas de um colégio de S. Tirso (o uso do Novo Acordo Ortográfico é da responsabilidade delas  e eu, embora não concordando com o NAO,  percebo):

P- Quando e porque é que se apaixonou pela Física?

R- Quando andava na escola secundária em Coimbra, a Escola José Falcão, que na altura se chamava Liceu D. João III. Tive excelentes professores, mas o meu impulso para a Física foi mais devido às leituras que fiz de livros de divulgação científica do que às aulas. Lia muito e foi nos livros que descobri a aventura da ciência: os mistérios do átomo e do núcleo atómico. O primeiro dinheiro que ganhei num concurso escolar foi para comprar livros de divulgação científica. O primeiro intitulava-se mesmo “O Átomo” e foi escrito por J.J. Thomson, o professor britânico que ganhou o Prémio Nobel pela descoberta do eletrão.

P. Quem ou o que foi a sua inspiração para fazer tudo o que fez até hoje, ou seja, o que o fez desenvolver todo este trabalho maravilhoso?

R-  O mundo físico é uma fonte permanente de inspiração para um investigador em física. Há sempre tantos mistérios, tantas coisas para compreender… Por outro lado, um professor como eu sou encontra sempre inspiração nos seus alunos e nos seus leitores, os estudantes nas escolas onde ensino e as pessoas que lêem os livros que escrevo. Há sempre gente, muita gente, que, como eu, também gosta de compreender.

P-. Para si a visão científica é a mais importante quando se trata de abordar um tema qualquer no seu quotidiano?

R-  A visão científica não é a única visão do mundo. Mas, para mim, é uma das mais importantes. O método científico não vale para tudo, mas para aquilo que vale, ensina-nos a não nos enganar-mos. Mas o melhor método que jamais foi encontrado para não nos enganarmos nem enganarmos ninguém.

P- Qual a teoria que defende: o Big Bang ou o Big Crunch?

R-  Hoje praticamente todos os cientistas defendem a teoria do Big Bang para o nascimento do Universo, pois não há alternativa credível. Claro que permanecem muitos mistérios, designadamente sobre os primeiros momentos. O Big Crunch é uma possibilidade não para o início do Universo, mas para o fim. Neste momento, podemos dizer que se encontra excluída. O Universo, tanto quanto sabemos, está não só em expansão como em expansão acelerada.

P- Acha que algum dia a espécie humana conseguirá descobrir a verdadeira origem do Universo?

R.- Podemos tentar-nos aproximar-nos, procurando saber mais. Mas os primeiros instantes colocam uma dificuldade fundamental: é o início do espaço e do tempo, o sítio que a física atual não sabe descrever.

P- Qual a sua opinião sobre a Teoria de Tudo, de Stephen Hawking?

R- Bem, há várias teorias de tudo. Essa expressão significa uma teoria unificada das forças do universo. Já se conseguiu a unificação de todas as forças excepto a da gravidade. Faz sentido procurar essa unificação final, já procurada por Einstein. Mas já não faz sentido colocar todos os esforços da física nessa questão, há outras. A melhor candidata a teoria de tudo é a teoria das cordas e esta faz previsões muito difíceis de testar.

P-. Na sua opinião qual foi e/ou qual será a maior descoberta humana no campo da Ciência?

R-  Há tantas, é difícil dizer. Além da unificação das forças, problema que pode ter a ver com a matéria escura e com a energia escura (dois mistérios da cosmologia atual), na Física, há na Biologia e o problema da origem da vida e da origem da consciência. E existem as questões muito interessantes de saber se há vida extraterrestre e se estamos sozinhos no espaço como forma de vida inteligente.

P- Onde entra Deus no meio de tanta Ciência?

R-  A Ciência não discute nem pode discutir a existência de Deus. Está para além da Ciência. 

P-Quem é o seu físico preferido? No sentido de partilhar/defender os seus ideais?

R-  Albert Einstein, claro, talvez o maior físico de todos os tempos (Newton que me desculpe).

P- Qual o conselho que tem a dar para pessoas que queiram seguir os seus passos?

R-  Leiam, estudem, observem, experimentem, procurem respostas para as vossas questões. E nunca desistam!

O que fazer depois do PhD? - Uma breve introdução sobre carreiras "pós-académicas"



                      

CONVITE


Workshop:

O que fazer depois do PhD? - Uma breve introdução sobre carreiras "pós-académicas" / What to do after your PhD? - A brief introduction to ‘post-academic’ careers".


Data:  7 de Junho de 2016, 11h
Local: RÓMULO - Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra
        Departamento de Física da FCTUC 

Oradora: Filipa P. Moraes
 (www.cienciaclara.pt)

PÚBLICO-ALVO:
1. Doutorandos e pós-docs de todas as áreas STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics) e de Ciências Sociais e Humanas;
2. Coordenadores e Directores de Programas Doutorais e de Programas de Mestrado;
3. Empresas que procurem desenvolver as competências (soft skills) dos seus trabalhadores.


Objectivos do workshop:
1. Dar informação sobre possíveis carreiras a considerar após o Mestrado, Doutoramento.
2. Fornecer ferramentas para a avaliação de competências e ramos de interesse.
3. Apresentar a formação que a Ciência Clara oferece (e.g. escrita de artigos científicos, preparação de CVs, career coaching, etc).

Duração: 1h45m
ENTRADA LIVRE e gratuita mas sujeita a inscrição. Os interessados deverão fazer o Registo aqui até 6 de Junho.

VIAJAR COM OS OSSOS: DA NOSSA HISTÓRIA NATURAL À RESOLUÇÃO DE CASOS CRIMINAIS.



CONVITE


Na próxima 5ª feira, 2 de Junho de 2016, pelas 18h realiza-se no RÓMULO Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra, a palestra intitulada "Viajar com os ossos: da nossa história natural à resolução de casos criminais", com a professora Eugénia Cunha do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.

Palestra inserida no ciclo Fronteiras da Ciência, coordenado por António Piedade, a decorrer até Julho de 2016.




RESUMO DA PALESTRA:
Os ossos, como tecidos duros do corpo humano, quando fossilizam, contam estórias sobre a nossa história natural. Por outro lado, quando passou pouco tempo desde a altura da morte e os tecidos moles já não são informativos, os ossos testemunham violações de direitos humanos e permitem devolver a identidade a quem a perdeu. São estórias dos ossos, que são intemporais, que se vão contar, uma viagem desde há 7 milhões de anos até ao presente.


ENTRADA LIVRE
Público-alvo: Público em geral

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Resposta ao Comentário de Manuel Silva


Começo por agradecer o seu comentário ao post por mim publicado, em transcrição que fiz do artigo “MATAR” (“Revista-Expresso”, 29 de Maio/2016) que me pareceu importante, mormente, por esta peça jornalística ter assumido o preceito romano: "Ridendo castigat mores!"

Por, logo de início, ter sido por si referido aqueles que se têm debruçado sobre as escolas oficiais e os colégios com contrato de associação , aqui no De Rerum Natura (e na parte que me toca, outrossim, no jornal Público) não posso, e muito menos quero, deixar de justificar, publicamente, a minha posição actual sobre a acção do anterior ministro da Educação, Professor Nuno Crato, embora, em tempos, tenha acreditado ser o seu consulado uma nova e esperançosa forma de acabar, por exemplo, com o "eduquês" e o abuso dos colégios com contrato de associação.

Não o foi, em ambos os casos! No primeiro, por ter sido cilindrado pela máquina da 5 de Outubro; no segundo por culpa própria em cedência ao Rei Midas. Como o não foi a acção de José Sócrates mandando (re)construir, em dispêndio faraónico, escolas do ensino oficial deixando, simultaneamente, chegar algumas delas à maior das degradações materiais, v.g., antigo Liceu Camões, em Lisboa, e antigo Liceu Alexandre Herculano, no Porto, como tenho referido em vários posts e em artigos de jornal.

Deixo à consideração dos leitores (principalmente de si) as ilacções pertinentes a tirar de tanta e dispendiosa obra e de quem delas se possa ter aproveitado. Como vê, cá (Nuno Crato) e lá (José Sócrates) más fadas houve. E já que estou, como diz a linguagem popular, “com a mão na massa” (honny soit qui mal y pense, por a massa significar também o vil metal) não posso deixar de estranhar que este diferendo se tenha resumido, essencialmente, entre escolas oficiais e colégios com contrato de associação, deixando de fora os colégios privados.

Nanja eu por ter perspectivado esta temática no seu triplo aspecto: ensino oficial, ensino convencionado e ensino privado (12/02/2011; 10/11/2012 e 13/11/2013). Assim, em transcrição com esta última data, escrevi no Público, e nesse mesmo dia transcrito, aqui, no De Rerum Natura, com o título “Ensinos oficial, convencionado e privado”, o seguinte artigo de opinião:

“Perante uma aparente apatia de escolas oficiais confrontadas com o ensino privado com contrato de associação (para o qual a lei estabelece condições que nem sempre têm sido cumpridas), estão grande número delas transformadas em verdadeiros elefantes brancos com instalações luxuosas carenciadas de alunos e, ipso facto, com professores com horários zero que fazem pairar nuvens negras sobre o seu futuro. Em consequência, tive como muito oportuno e de grande interesse um artigo de opinião de António Rendas, presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (PÚBLICO, 11/11/2013), em memória exaltante “Ao meu velho amigo Liceu Camões”, por ele assim havido em título de artigo.

Em evocação de Miguel Torga,  "maldito seja quem se nega aos seus", isentando-se, desta forma, da maldição de se negar a um ensino da sua saudosa recordação, este testemunho reitoral é tanto mais de enaltecer por me parecer que se tornou tabu discutir esta temática no olvido de umas tantas personagens que deram aos liceus um estatuto de grande honorabilidade (no caso do Pedro Nunes, verbi gratia, Nuno Crato, ministro da Educação, Marcelo Rebelo de Sousa, catedrático de Direito e Francisco Pinto Balsemão, fundador do Expresso). E tanta outra gente ilustre e ilustrada, ex-alunos de outros liceus do país (não sei porque carga de água, hoje crismados de escolas secundárias) que pontificam em numerosos aspectos científicos, culturais e artísticos da sociedade portuguesa.

Em abono da verdade se diga que no statu quo actual escolas oficiais há de sucesso que tudo fazem para tentarem sobreviver com galhardia da crise que assola o ensino em Portugal. Como mero exemplo, ditado pela posição de destaque no ranking nacional, em função da média das notas de exames nacionais do 12.º ano, o caso da Escola Secundária Infanta D. Maria, de Coimbra.

Sem esquecer, e muito menos desconsiderar, outras escolas estatais das margens do Mondego ou de outras partes do território nacional.

Que fique bem claro: a minha defesa em prol das escolas oficiais não significa, de forma alguma, um ataque cerrado e cego às escolas privadas convencionadas. Apenas a cada uma delas (oficiais e convencionadas) um destino que não transforme as escolas estatais numa espécie de vazadouro de alunos que por elas optam como último recurso e não como eleição deliberada de tempos de glória na memória colectiva dos portugueses.

Mas grande parte desta polémica, que está longe de ter chegado ao fim, reduz-se a uma coisa tão simples como esta: dever ser o ensino privado com contrato de associação uma alternativa ao ensino público inexistente numa determinada área e não mera satisfação megalómana de famílias não muito abonadas que gostam de blasonar a “riqueza” de terem os filhos a estudar em colégios à custa do erário público, o dinheiro dos impostos de todos nós.

Em plena época de grave crise económica, promover uma situação de favor para o ensino privado subsidiado pelos cofres do Estado, poderá ser uma forma de transformar o ensino privado, com longa e valorosa tradição (em minha lembrança e a título de mero exemplo, o Colégio Valsassina de Lisboa, membro-honorário da Ordem de Instrução Pública) num barco em perigo de adernar por, em nome da sua independência, dispensar quaisquer formas de subsídios estatais.

Salvo melhor opinião, reduzir esta questão ao binário ensino oficial/ensino privado convencionado poderá ter como consequência trágica ferir de morte o ensino privado tout court. Contrariando um exagerado optimismo da alma lusitana, de que receio me ter feito intérprete de , deixou-nos Nuno Crato, todavia, lampejos de esperança: “Os dias terríveis são, afinal, as vésperas dos dias admiráveis” (Almada Negreiros).

Mas que cheguem rapidamente esses dias em benefício da sociedade portuguesa fustigada por ventos constantes de mudança do sistema educativo que em nada ajudam o equilíbrio emocional da sua juventude prejudicando mesmo o seu rendimento escolar!

Para não me pesar na consciência um silêncio cúmplice sobre um assunto que carece urgentemente de clarificação dando a César o que é de César, respaldo-me em Pitigrilli: “Tudo deve ser discutido. Sobre isso não há duvida”! Para que o ensino oficial não possa ser subvertido por interesses político/económicos do ensino convencionado, ainda que em mero dever de cidadania, discuta-se, pois, um assunto que volta a estar nas luzes da ribalta por se tratar (ou dever tratar) de uma questão de verdadeiro interesse nacional que pode pôr em risco as gerações actuais e futuras”.

Embora podendo passar por injusto, por desconhecimento de possíveis acções levadas a efeito pelo ensino privado em defesa dos mais que legítimos interesses dos seus professores e alunos, que pagam as respectivas mensalidades, não posso, uma vez mais,  deixar de evocar (numa altura em que, um tanto tardiamente, as escolas oficiais têm agendado uma manifestação para o próximo mês de Junho) palavras de Miguel Torga: “Maldito seja quem se nega aos seus em horas apertadas!”

A CIÊNCIA NA ESCOLA

Publicado no Diário das Beiras (21-01-2015)

Vivemos numa sociedade em que a aplicação do conhecimento científico é uma constante no nosso dia-a-dia. Imersos em ciência, mesmo que disso não nos apercebamos, é importante conhecê-la. Ter uma cultura geral científica é importante para sermos melhores cidadãos, para podermos ter a nossa própria opinião crítica, para podermos ser livres em democracia.

Perceber o que é a ciência, ajuda-nos a compreender melhor o mundo em que vivemos. Neste contexto, o papel da escola é indispensável enquanto instituição que garante o ensino formal das ciências, permitindo que todos os cidadãos tenham acesso a conceitos básicos sobre como a ciência permite entender o Universo em que existimos.
O ensino da ciência deve estar presente durante a maior parte da escolaridade e começar o mais cedo possível, de preferência logo no pré-escolar. De facto, é desejável ensinar princípios básicos da ciência na infância e dotar o pensamento das crianças com as bases para uma melhor compreensão futura do conhecimento científico. As crianças têm uma natural curiosidade para compreender o mundo em que crescem e a ciência ajuda-as a despertar a sua inteligência para descobrir a natureza e como ela funciona. Os comunicadores de ciência são agentes importantes nesta apresentação da ciência às crianças.

O ensino da ciência na escola não deve ficar só pelo ensino das matérias científicas. Deve permitir que os alunos experimentem, saibam como é que a ciência se faz, compreendam o método experimental científico.

É importante que os alunos saibam como é que a ciência funciona e avança. Neste aspecto, a escola deve promover o diálogo entre alunos e cientistas. E estes devem estar abertos a divulgar de forma acessível o seu trabalho científico e disponíveis para falar com os alunos sobre a sua actividade.

Este contacto dá sentido prático ao conhecimento científico que os alunos aprendem na escola. Ao apresentarem a utilidade da sua investigação, os cientistas fertilizam a curiosidade dos jovens, para além de os cativar e incentivar para uma eventual profissão na ciência. A proximidade com os cientistas torna a ciência real, mais humana e emotiva.

Os comunicadores de ciência têm aqui um papel muito importante, uma vez que apresentam um conhecimento de uma forma interdisciplinar e mostram a importância das diferentes disciplinas para o avanço do conhecimento científico. A comunicação do conhecimento científico é intrínseca à própria ciência. Sem comunicação não há ciência. Também por isso, o ensino escolar da ciência deve, para ficar completo, promover a comunicação entre cientistas e alunos, como se disse. E o papel dos comunicadores de ciência nesta tarefa é essencial, pois constrói a ponte entre as duas comunidades.

É que comunicar ciência é uma actividade cívica.

Terapia de ondas gravitacionais: a melhor cura para a alergia às redes wi-fi


A minha última crónica na Notícias Maganize, com que termina uma colaboração semanal de vários meses. E acaba assim:

Tenho o prazer de anunciar que sou o primeiro terapeuta de ondas gravitacionais moderno, recuperando um saber tão antigo quanto o universo. O diagnóstico da deformação do espaço-tempo do paciente (que é visto como um todo, numa abordagem holística, dialética e energética do ser humano) é feito não com um mas com dois interferómetros a laser, que identificam os órgãos e os chakras deformados. Nas sessões seguintes são aplicados campos gravitacionais em 147 pontos específicos do nariz, das orelhas e dos órgãos genitais que, a par de uma dieta personalizada, permitem eliminar as deformações do espaço-tempo com resultados garantidos sem usar químicos nem radiação eletromagnética (exceto o tal laser).

domingo, 29 de maio de 2016

MATAR

Da “Revista Expresso “ (do dia 28 deste mês), transcrevo um artigo de Luís M. Faria, que me trouxe à memória a prosa corrosiva de Ramalho: “O riso é a mais antiga e ainda a mais terrível forma de crítica. Passe-se sete vezes uma gargalhada em volta de uma instituição, e a instituição alui-se”. Escreveu o autor do supracitado artigo:

“O debate sobre educação aqueceu de repente. Manifestações acompanhadas de insultos seguem o primeiro-ministro. A JSD sobrepõe num cartaz a cara de Estaline à do sindicalista Mário Nogueira, explicando que ambos só querem  a escola pública (à superclaque jotinha não ocorre alusões a genocidas a propósito de contemporâneos devem ser feitas com parcimónia. Usar Staline para falar de escolas portuguesas…). E um antigo primeiro-ministro, também António e do PS, fez um comentário profundo, lembrando a necessidade de ‘definir a educação como uma prioridade absoluta’ mas esquivando-se a  ‘questões de uma política concreta’.

Presente no debate, mesmo antes de Estaline, esteva a metáfora assassina. É um tropo habitual quando a discussão envolve dinheiro público, ou assuntos beatos, ou as duas coisas. O governo quer ‘matar’ os colégios com contratos de associação, disse uma representante deles. Outra foi ainda mais concreta: ‘Não se trata apenas de não abrir novas turmas. Estamos a falar de matar à machadada os colégios com contratos de associação’. Vêm à cabeça as imagens do filme ‘Shining’, com o ministro da Educação a fazer de Jack Nicholson, arrombando portas e espalhando o terror no grande hotel gelado que é a educação privada, Esse exagero dramático não trivializa as dificuldades previsíveis dos colégios e de quem neles trabalha? Quão pertinente é a comparação?

Não parece que o Governo deseje secretamente o fim do ensino privado, com alguns sábios anónimos têm sugerido na internet. Onde colocariam tantos governantes e deputados os seus filhos? Igualmente sem fundamento é a suspeita de que se pretende acabar com determinados colégios. O cidadão comum mais facilmente conclui que o que se pretende é poupar dinheiro ou então (embora colégios afetados invoquem a igualdade’, a par da ‘excelência’ e da ‘liberdade’) não contribuir para reforçar a vantagem competitiva que as crianças de classes privilegiadas já têm ao estudarem no particular. A vantagem está na qualidade do ensino e do ambiente, bem como nas pessoas que fica a conhecer – fatores reconhecidos para um futuro próspero. Porque os deve subsidiar quem os não tem, existindo escola pública para todos? Poderá haver bons motivos, mas metáforas emocionais não ajudam a vê-los. E até são algo deseducativas.”

"E se parássemos para pensar?": Não, não tem esse direito.

A jornalista Teresa de Sousa escreveu para o jornal Público de hoje um excelente artigo sobre a discussão, que nem devia ser discussão, do financiamento público a algunas escolas privadas e cooperativas, a que deu o título "E se parássemos para pensar?". Reproduzo abaixo uma parte substancial dele pela clareza da informação que presta e pelos argumentos a que recorre.
1. Há quinze dias, Manuela Ferreira Leite disse no seu comentário na TVI que não percebia qual era o problema da “guerra” entre os colégios privados subsidiados pelo Estado para suprir falhas do ensino público e a decisão do Governo de dispensar alguns.
Como o que disse ia contra a corrente, não sei se o seu pensamento ficou absolutamente claro. Mas é a mais pura das verdades que, mesmo assim, não impediu uma polémica em que já ninguém sabe exactamente o que está em causa. Se uma questão ideológica sobre a melhor forma de garantir a educação para todos (Estado ou a compra de serviços a privados) ou uma mera questão de interpretação da lei.
O ruído foi deixando o essencial de fora. Basta estar atento aos cartazes que aparecem nas manifestações para perceber que há nisto tudo uma enorme confusão. “Pago impostos, tenho direito a escolher a escola dos meus filhos”, resume perfeitamente a confusão instalada no debate.
Não. Não tem esse direito. Os impostos que pagamos são para manter um ensino público que garanta da melhor forma possível um princípio base das democracias europeias: a igualdade de oportunidades.
Sabemos que a realidade não permite cumprir totalmente este princípio, porque nele interferem problemas de discriminação social difíceis de resolver. Mas também sabemos que até se provar o contrário esta é a melhor forma de manter esse princípio.
Qualquer família é livre de escolher a escola dos filhos: pública e, portanto, gratuita; privada e, portanto, pagando as propinas devidas (...).
Vai restar alguma coisa desta gritaria sobre as escolas privadas que o Estado vai deixar de financiar? Duvido (...). 
2. A direita, com toda a legitimidade, inoculou no debate as suas ideias sobre o Estado, segundo as quais é preciso garantir o serviço, mas não o seu fornecimento, que pode ser integralmente privado.
É uma velha ideia que até pode parecer apelativa mas que, por alguma razão, ainda não foi levada até ao fim por nenhuma democracia europeia ou, sequer, nos EUA.
Qual seria a escola privada que estaria em condições de prestar o serviço de uma escola pública, por exemplo, num dos bairros mais pobres dos arredores de Lisboa, onde muitos dos alunos são de origem africana? Já fui a uma dessas escolas para falar da Europa e saí de lá com uma admiração enorme por quem a dirige e por quem lá ensina.
Poderiam ir todos inscrever-se no São João de Brito com as propinas pagas pelo Estado? Sabemos a resposta.
Essa liberdade de escolha de que tanto se fala esbarra com a vontade dos colégios privados e com profundas desigualdades sociais. O Estado teria de superar essa falha privada, abrindo as portas a serviços públicos feitos apenas para os pobres. Resultado? Teríamos de ir até outros continentes menos desenvolvidos para os encontrar.
Finalmente, os rankings mostram-nos que escola privada não significa melhor qualidade. Há de tudo (...). 
3. Vale a pena olhar para o que se está a passar na Suécia, um país que já tinha escolaridade obrigatória no final do século XIX e que, com os outros nórdicos, era dado como um exemplo de sucesso na educação.
O que hoje se sabe é que a Suécia caiu drasticamente nos rankings do PISA, obrigando a sociedade a fazer um grande debate sobre o que aconteceu. Pode haver muitas razões, mas uma delas está a merecer a máxima atenção.
Nos anos 90, o sistema foi reformado de alto a baixo, transferindo para as escolas privadas a totalidade do ensino, devidamente financiado pelo Estado. São as chamadas free schools (escolas privadas financiadas directamente aos alunos, que podem escolher a que quiserem), que o anterior Governo britânico (liderado por Cameron) andou a estudar in loco para seguir o mesmo caminho, mas que agora os resultados suecos estão a pôr em causa.
No Reino Unido, as free schools que já foram criadas não podem gerar lucro (e não consta que a cultura britânica tenha horror a tal coisa). Na Suécia podem. Dizia o ministro da Educação sueco, há já algum tempo, ao Guardian, que não haveria uma única causa para o fracasso, mas uma combinação que “ajudou a fragmentar o sistema escolar” e abriu as portas a uma maior desigualdade. “O sistema escolar não é um mercado em que cada um tem as mesmas possibilidades e a mesma informação”, disse ele. “Verificou-se que alguns pais, os mais educados e com maiores recursos, são quem tem a possibilidade de exercer a escolha”.
Estamos a falar de um país muito rico e muito educado.

Razões para se defender a escola


“Os alunos merecem tudo, salvo a indiferença” 
Cécile Ladjali, 2005. 

“Quem pretende educar converte-se, de certo modo, 
em responsável pelo mundo (…), como muito bem assinalou 
Hannah Arendt, se lhe repugna esta responsabilidade,
mais vale que se dedique a outra coisa e que não estorve." 
 Fernando Savater, 1997. 


Sim, a escola pública têm de ser defendida. Tal como a escola privada.
Está escrito na Lei de Bases do Sistema Educativo e é certo que assim seja.

Independentes claro - não como acontece nesta desordem repleta de injustiças tanto para o sistema privado e cooperativo como para o sistema público -, mas com direito a coexistirem.

Centro-me agora apenas e só na escola pública, que é dela de que nos lembramos quando a vemos ameaçada (ou quando nos vemos ameaçados por a vermos ameaçada), digo que se a queremos defender temos de reconsiderar o que andamos a negligenciar, temos de superar os graves erros que estamos a cometer.

-  Temos, nomeadamente, de dar primazia ao "superior interesse" dos alunos, que é a aprendizagem. E para isso temos de os ensinar (sim, ensinar). Essa é a razão e a essência da escola.

- O "superior interesse" dos alunos não é, em primeiro lugar, satisfazer os seus "interesses individuais", eventualmente influenciados pelo "contexto local"; é levá-los a aprender, de modo formal, o que não podem aprender noutro lado, nem de qualquer maneira, pelo menos com a extensão e profundidade que a escola proporciona ou tem obrigação de proporcionar.

- Trata-se de um "interesse superior" porque esse ensino e essa aprendizagem podem permitir aceder a uma certa consciência do mundo, de si próprio, da existência; podem conduzir a um certo discernimento que, como civilização, construímos e que temos obrigação moral de fazer passar às novas gerações.

- Para isso temos de voltar a colocar no centro das nossas preocupações o conhecimento fundamental, aquele "conhecimento poderoso" que forma o pensamento se, a partir dele, estimularmos o desenvolvimento de capacidades cognitivas, afectivas (não no sentido corrente, mas no sentido que tem em Pedagogia) e motoras;

- Temos de ver a escola como escola. O espaço e o tempo onde só devem entrar e estar aqueles que se sentirem profundamente empenhados nesse desígnio, aqueles que, sem outro interesse que não seja o "superior interesse" dos alunos, de modo altruísta, queiram ensinar e cuidar.

- E isto é tarefa dos professores. Tarefa que não pode ser assumida por não profissionais e muito menos por empresas e por recursos tecnológicos, cada vez mais infiltrados na educação escolar. Os professores, os bons professores, têm de se afirmar como profissionais intelectuais que, com base em informação diversa, são capazes de decidir os desígnios da sua acção. Os professores não podem, enfim, deixar que o seu nobre lugar lhes seja sonegado, seja de que modo for.

(Entenda-se que isto não significa, de maneira alguma, que se recusem os recursos tecnológicos, sejam eles antigos ou novos, significa apenas e só que o ensino não pode ser transferido para esses recursos).

Assim, a defesa da escola pública não pode ficar pelo slogan "Eu amo a escola pública". Quem ama a escola - seja pública seja privada - tem de defender a aprendizagem e o ensino, os alunos e os professores, o direito de aprender e o direito de ensinar. Quem ama a escola tem de reafirmar a importância do conhecimento e da sua fruição, bem como das ideias/valores a que conduz, entre as quais está liberdade. Quem ama a escola tem de reafirmar também aquilo que já há muito deixou de ser falado: a "relação pedagógica", no âmbito da qual, de modo "artesanal" e não raras vezes com grande esforço, professore(s) e alunos "constroem" a aprendizagem.

MANIFESTAÇÃO DOS COLÉGIOS À SOMBRA DA VELHA TORRE


"É fundamental que o estudante adquira uma compreensão
e uma percepção nítida dos valores”.
Albert  Einstein

Sobre os colégios portugueses com contrato de associação, fonte oficial dá-nos conta de um total de 2628 estabelecimentos de ensino na rede privada no continente - números de 2013/2014 -, incluindo pré-escolar, básico e secundário, acrescentando que há 79 colégios ou escolas privadas com contrato de associação com o Estado - escolas a quem o estado paga uma verba por turma/ano, para suprir fragilidades da rede pública -, que representam apenas 3% do total da rede de ensino privado. E mais adiantam  esses dados que desde 2001, foram eliminados 7.024 estabelecimentos de ensino público.

Sendo considerado o ensino na Finlândia um paradigma de incontroverso sucesso, extraio do blogue “Filandeando” (05/06/2014) alguns elementos relativos a esta temática que poderão ser comparados com os atrás apresentados. Assim, neste país escandinavo, existem escolas particulares na Finlândia sim, inclusive a universidade de Helsinki é privada agora ( porém continua gratuita). Imagine que na Finlândia tenha 40 mil escolas e 80 sejam particulares. é ridiculo o numero de escolas particulares, mas elas existem apenas porque por lei não podem ser fechadas, e são escolas com um método diferenciado ou religiosas ( ex. steiner ou católicas). As escolas privadas podem ter uma mensalidade ou não. Fato é: na Finlândia ter uma escola não é um negócio e ser professor não é profissão, é sacerdócio”.

Sempre considerei não voltar ao assunto dos colégios com contrato de associação, embora, como escreveu Eça, não fosse um vencido que se retirava; era um enfastiado que se safava. Não seriam, portanto e apenas, estes dados que me obrigariam a mudar de opinião por  serem possivelmente do conhecimento de leitores que se tenham debruçado sobre uma temática que desperta o interesse permanente dos media: jornais, rádio e televisão. Aliás, facto que se justifica plenamente porque, como foi reconhecido ainda pelo autor de “Os Maias”, “uma nação vale pelos seus sábios, pelas suas escolas, pelos seus génios, pela sua literatura, pelos seus exploradores científicos pelos seus artistas”.

Faço-o, portanto, numa altura em que existe o risco de ser passada publicamente a mensagem de que quem discorda dos contratos de associação está com a Fenprof/PCP, situando a direita ao lado de quem se manifesta a favor dos contratos de associação. Isto porque não me quero tornar exemplo que não colhe por provas dadas na minha constante divergência pública para com uma forma de sindicalismo por parte da Fenprof que encontra na rua o palco para impor o direito da força à força do Direito.

Assim, a título de mero exemplo, colhido de entre muitos outros, em “Cartas ao leitor”, intitulada “A máscara”, escrevi: “Numa época em que, segundo Alexander Soljenitzyn, ‘o relógio do comunismo já soou todas as badaladas’, os verdadeiros interesses da sociedade, das escolas, dos professores e dos alunos estarão resguardados e bem servidos com um sindicalismo retrógrado e ultrapassado?” (Público, 17/04/2008).

Para além de outros idênticos, um acontecimento mais recente relacionado com uma manifestação pública levada a efeito por colégios com contratos de associação, levaram-me a repensar, esta minha posição inicial que tinha como definitiva. Reporta-se ele a esta notícia:

“Vestidos de amarelo, cerca de 300 professores, encarregados de educação e alunos de colégios com contratos de associação aproveitaram, a presença do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa e do primeiro-ministro, António Costa, em Coimbra, para voltar a manifestar o desagrado com a decisão do Governo em não financiar turmas de início de ciclo nestas instituições.

Nas bermas da Rua Larga que dá acesso à Universidade de Coimbra, os manifestantes cantaram o hino nacional, empunharam cartazes de protesto e entoaram palavras de ordem como ‘liberdade’, ‘igualdade ‘ e ‘excelência’ (…) Primeiro a chegar à cerimónia de doutoramento ‘honoris causa’ de António Guterrres, António Costa foi directamente para a Porta Férrea tendo sido recebido com vaias, apupos e gritos ‘covarde’ pelos manifestantes” (Público, 23/05/2016).

Não posso deixar de registar o facto de, em citação incompleta dos princípios que nortearam a Revolução Francesa, liberté, egalité, fraternité, não terem os manifestantes das escolas com contrato de associação apelado à fraternidade para com o ensino oficial com um passado de excelência que tem sido descurado pela actual diminuição da sua população escolar, professores no desemprego ou deslocados para longe da sua zona habitacional por “horários zero” e degradação de instalações. Degradação que mereceu, inclusivamente, esta notícia jornalística  de página inteira: “PS-Porto lançou uma petição para recuperar a Escola Secundária Alexandre Herculano. Lá dentro  chove, as janelas perderam vidros, e paredes e chão esboroam-se e não é possível usar as novas tecnologias” (Público, 24/05/2016).

Finalmente, porque, colhendo novamente o exemplo da Finlândia, “seja lá o que o aluno vier a ser, ele terá que ter aprendido a ter ética profissional e ser gente”,  não pode deixar de me merecer forte repúdio a participação de crianças (as crianças senhores!) em manifestações de rua como se a solução para questões do vil metal envolvidas no caso das escolas com contrato de associação se resolvessem desta maneira e não em tribunais em que se dirimem causas em confronto litigioso.

Em flashback ao pórtico deste meu artigo, estará destinada a magna manifestação pública conjunta de dirigentes, professores, alunos e funcionários, marcada para hoje (anda que mesmo se isenta de vaias, apupos, e insultos anteriores), destinada a que “o estudante adquira uma compreensão  e uma percepção nítida dos valores”? Decididamente, acho que não!